Kanban: o post mais completo! E-book+Dica de Ferramenta+Exemplos

A palavra kanban é popularmente conhecida por ser uma ferramenta do Lean Manufacturing. Porém, existe diferença entre o cartão kanban, o quadro kanban e o Método Kanban. Não foi à toa que eu escrevi no título que este é o texto mais completo que você encontrará, pois eu vou te explicar tudinho! Vem comigo! 

Eu sempre trabalhei na indústria. No meu sangue ainda “rola” um pouco de graxa. Formada em Técnica Mecânica e Engenharia de Produção, já viu né? É amor de verdade. Por anos vivendo dentro de fábricas, passei por diversos quadros kanbans. E, agora, trabalhando com tecnologia eu me deparei com o Método Kanban e pude comparar os dois. Ou melhor, aprender um pouquinho sobre cada um deles. Por isso, quis dividir essa experiência com vocês.

Kanban é uma palavra Japonesa

Primeiramente, preciso dizer que kanban é uma palavra japonesa que, originalmente, significa cartão. Não podemos falar de kanban sem falar um pouquinho de como essa palavra surgiu. Por isso, precisamos voltar no tempo. Essa ferramenta de trabalho foi criada na década de 60 no Japão, por um grupos de trabalhadores da Toyota e passou a integrar o Sistema Toyota de Produção.

Na época, a empresa precisava criar uma forma de ter uma gestão mais clara e uma visão melhor da utilização de seus recursos. Ou seja, gerenciar de uma forma melhor seus recursos, tentando estabelecer o equilíbrio entre produtos acabados e linha de produção e evitar tanto a criação de estoque de produtos acabados, quanto falta de produtos por falta de recursos. Com base nisso, esse grupo de japoneses criou um quadro com colunas que eram alimentadas com cartões coloridos (kanban). Cada coluna representa o status de fabricação do produto. Já os cartões, representam a prioridade de produção de cada item.

Uma história interessante

No ano de 1949 Taiichi Ohno (o criador do  Sistema Toyota de Produção) estudava os supermercados americanos e aplicava seus métodos em oficina da Toyota que ele gerenciava. Em 1953 ele começou a implementação na Toyota. Quando ele visitava os supermercados o que mais impressionava era que os clientes tinham o que desejavam, na prateleira na hora que eles desejavam, na quantidade que eles precisavam. E o fornecedor fazia as reposições de acordo com a demanda. Foi com este pensamento que ele implementou o quadro kanban.

Ou seja, ele gostaria que dentro das fábricas a produção só acontecesse se a prateleira estiver “vazia”. Ninguém produzirá itens ” a lá louca” sem que seja necessário. Mas como um operador saberá que o outro precisa de mais peças? “Olá, estou parado preciso que você me envie mais peças” Como ele poderia fazer que o sistema produtivo fosse Just in time (somente se produz se for necessário produzir, sem gerar estoques)? Então, entre e essas e outras ideias, surgiu o quadro kanban.

Fluxo puxado x Fluxo empurrado

O fluxo empurrado de produção é aquele sistema produtivo que fecha os olhos e produz! Caaaaso seja preciso aquele item, ele já estará pronto. Dentro da indústria chamamos isso de “Just in case”. Ou seja, vamos produzir para caso algum dia alguém precise. Neste formato um empurra atividade para o outro fazer.

No fluxo puxado é bem diferente. É a demanda que controla o que será produzido. A produção é Just in time, ou seja, no tempo certo. Sem produção de estoque. Quando temos um fluxo puxado, a atividade fica lá, parada, até que seja “puxada” por alguém que notou a necessidade de realizar a tarefa.

Elementos do kanban

Os elementos do kanban são: o cartão, a embalagem, o quadro e o supermercado. Quer mais detalhes?

  • Cartão: serve como identificação das peças e autorização para produção ou movimentação;
  • Embalagem: é uma caixa ou carrinho que contém a quantidade de peças definidas no cartão (volume de estoque);
  • Quadro: é o local onde são colocados os cartões das peças que necessitam ser produzidas. Serve como gestão visual para a programação da produção;
  • Supermercado: é o local onde estão armazenadas as peças prontas aguardando para seguirem no processo ou as embalagens vazias a serem abastecidas.

Cartão kanban

O cartão kanban, fortemente utilizado dentro da indústria, é um cartão que contém informações visíveis e importantes sobre uma demanda que precisa ser produzida. Ou seja, se eu sou um operador de uma máquina eu pego o cartão kanban para obter informações sobre as peças a serem produzidas. Qual a função de um cartão kanban? Autorizar a produção ou transferência de materiais.

Quadro kanban

O quadro kanban é o quadro onde ficam os cartões. O objetivo é gerar uma gestão visual que facilite a operação. Não existe um formato padrão único e exclusivo. Infelizmente eu não posso compartilhar nenhuma foto de um quadro kanban real, pois não tenho autorização para isso. Para tentar exemplificar, eu fiz esta imagem.

Quadro kanban
Quadro kanban

Vamos a explicação e exemplo

Eu sou o operador 1 que faz a operação 1. Eu tenho meu quadro kanban. De acordo com a imagem exemplo acima eu só posso produzir até 10 peças/lotes. Mais do que isso é desperdício. Estoque em linha. Não pode. Quando eu chegar ao limite de 10 peças/lote é melhor e mais barato eu ficar parado do que produzir. E aqui entra um detalhe muito importante. Eu não vou produzir no estilo “Just in case” – Para caso for necessário (gerar estoque). Eu vou produzir no estilo “Just in time” ou seja, somente o necessário para aquele momento.

Agora, o operador 2 que faz a operação 2 vem até o supermercado e vai retirando as peças/lote junto com os cartões.

  • Quando ele retira a 10 o quadro me mostra que está tudo bem, ainda restam 9.
  • Se ele retira a 9 o quadro me mostra que está tudo bem, ainda restam 8.
  • Caso ele pegue o cartão número 7 o quadro já me mostra a cor amarela, avisando que possivelmente devo me preparar para fabricar mais, pois logo o operador 2 ficará sem ter o que produzir.
  • Por fim, quando ele retira o cartão número 5 o quadro me mostra que entrei na zona vermelha. Preciso produzir logo. Estou arriscando parar a produção por falta de peças.

Quais os objetivos com a implementação do kanban

  • Puxar a produção e controlar os níveis de estoque;
  • Garantir o atendimento (entregas);
  • Limitar a quantidade máxima de peças em produção (estoque em linha);
  • Reduzir as esperas do processo;
  • Reduzir o lead time (velocidade);
  • Aumentar o giro de estoque, necessitando desta forma de menor quantidade de investimento de capital em inventário;

E nos escritórios, como funciona? Kanban para gestão de processos

Embora tenha surgido há bastante tempo atrás, kanban não se restringe mais apenas ao universo da indústria. Nos dias de hoje, ele invadiu completamente os escritórios. Existem muitas ferramentas que utilizam o quadro kanban para representar, inclusive, uma visão de processos. 

Criando um quadro kanban para visualizar processos

Para começar, você pode criar um quadro de uma forma muito simples. Basicamente, crie colunas em um quadro – quadro kanban – que representam as etapas do seu processo, e inclua cartões com as informações, de acordo com o status de cada um deles.

O quadro kanban mais simples que existe – e que pode ser seu ponto de partida – possui apenas 3 colunas: a fazer (to do), em andamento (doing) e feito (done). De forma geral, a atividade é escrita em um cartão, o qual é colocado na primeira coluna (a fazer, ou to do). Conforme o processo ou o desenvolvimento do projeto avança, os cartões vão sendo passados para outras colunas, até chegarem ao final (done).

Para ficar mais claro, que tal um exemplo? 

Vamos imaginar um processo de compras de material de escritório. Eu resolvi fazer colunas relacionadas às etapas do processo de compras. Veja só como fica:

kanban para processo de compras
Exemplo de Quadro Kanban para um processo de compras de material de escritório

Kanban não é indicado para processos complexos

Eu mostrei na imagem acima um processo bem simples. Onde nós vemos as tarefas PARA FAZER, as tarefas FAZENDO e as tarefas FEITAS. Mas, quando estamos falando de processos complexos, com vários “E SE…” o quadro kanban pode não ser tão eficaz. Por exemplo, se você quiser fazer algumas regras no seu processo de compras:

  1. Se o pedido de compras for via licitação vai para fluxo A;
  2. Ou, a solicitação de compras for maior do que 10mil reais segue fluxo B;
  3. Menos de 10mil reais, segue fluxo C;
  4. Caso seja uma compra de item de segurança, segue fluxo D;
  5. etc.

Nestes casos em que o seu processo é mais complexo e existem várias possibilidades para seguir, recomendamos que você conheça BPMS. 

A forma como a imagem mostra um kanban é simplesmente uma gestão visual de um processo. De etapas e tarefas de um processo. Porém, áreas de projetos também têm usado muito o Kanban ou Scrum (ou os dois) para a criação e produção de seus itens, mas aí é o Kanban com K maiúsculo, ou seja, o famoso Método de David J. Anderson. Que é totalmente diferente

Método Kanban de David Anderson para gestão de projetos (Dica de e-book)

É o método de controle de atividades criado por David Anderson e mantido pela Kanban University. Kanban com K maiúsculo, isso mesmo. O método criado por David J Anderson (por volta de 2008) tem suas regras de funcionamento, que não são como as regras do kanban do Sistema Toyota de Produção. São regras específicas e com objetivos diferentes. David Anderson atuou na área de Software e por isso criou este método para ser usado no desenvolvimento de Software. Aqui está o link do livro na Amazon.

Método Kanban _ Livro de David Anderson
Método Kanban _ Livro de David Anderson

Kanban Guide – E-book

Olha como eu sou legal, trouxe aqui este link para vocês: https://resources.kanban.university/guide/. Neste link você pode fazer download, em Português, do Método Kanban Condensado.

KANBAN Guide
KANBAN Guide

 

Kanban University

Para você ficar fera mesmo neste assunto, indico um outro site que você pode estudar: é o Kanban University. A Universidade Kanban foi criado pelo David Anderson e é o principal portal de informações sobre o método. No Brasil, tem um cara feeera que sabe muito sobre o Método Kanban e ministra treinamentos oficiais, o nome dele é Rodrigo Yoshima. Ele é um Certified Kanban training!

Diferença entre Kanban e Scrum

Se você veio até este post para aprender Kanban e ficou pensando: qual a diferença entre Kanban e Scrum. Vou comentar, brevemente.

Ritmo

No Kanban o ritmo de produção é contínuo. Não existe time box. Ou seja, a equipe vai produzindo conforme a demanda. Já no Scrum existem as sprints regulares com datas de início e fim definidas.

Funções

No Kanban não existem funções pré-definidas. Enquanto no Scrum existem os papéis, como por exemplo: Scrum Master, PO, Dev, etc. É uma bagunça então? Não. O Método Kanban não entra neste detalhe de prescrever funções. Ou seja, cada equipe define as funções que deseja. A equipe define com base no seu próprio negócio como deseja se organizar.

Entregas

As equipes que usam Método Kanban não possui data para as entregas. De fato, as entregas são contínuas. Já no Scrum, no final de cada sprint, devem ser aprovadas as entregas. Caso não seja aprovada a entrega, ela volta para a próxima sprint.

Mudanças

Aqui está, talvez, uma das maiores forças do Kanban. Ele foi feito para trabalhar com mudanças a qualquer momento. Portanto, no Método Kanban, podem ocorrer mudanças das decisões sobre o que será produzido. No Scrum, as equipes devem se esforçar para não fazer alterações dentro da sprint.

Indicadores-chave

No Kanban os indicadores-chave são:

  • Leadtime (É uma das principais métricas do Método Kanban. Corresponde ao tempo, em dias, entre a priorização de uma demanda pelas áreas de negócio e sua efetiva finalização),
  • WIP (work-in-process – trabalho sendo processado)
  • Vazão (Takt time – de quanto em quanto tempo sai uma entrega). No Scrum um dos indicadores é velocidade.

Indicação

O Kanban é mais indicado para projetos com prioridades amplamente variáveis. Já o Scrum é mais indicado para equipes com prioridades estáveis que podem não mudar tanto com o tempo. Sem dúvida, não existe melhor nem pior. Você deve avaliar qual melhor se encaixa com a sua equipe.

Quadro resumo diferença entre Kanban e Scrum
Quadro resumo diferença entre Kanban e Scrum

Comece a implementar agora

David Anderson diz que para implementar Kanban você deveria começar agora mesmo. A primeira frase base do Método é “Comece com  que você já faz hoje”. Pois, trata-se de uma metodologia de projetos evolucionária. Ou seja, você começa como você está hoje e vai melhorando toda semana. Se o seu time quiser implementar Kanban, não é necessário nenhum revolução gigante, você vai implementando aos poucos.

Kanban é uma abordagem adaptativa e não prescritiva

No Método Kanban existem técnicas que você usa e vai adaptando com a sua realidade. Ou seja, não é uma receita de bolo que você deve seguir à risca. Diversos pontos são adaptáveis com a sua realidade. Portanto, você define o que é melhor para a sua equipe.

Como a equipe de marketing da SML aplica Kanban

Kanban é utilizado por diversas equipes da SML. Assim como outras equipes usam Scrum. Nós não achamos que um é melhor que o outro. Achamos que os dois são excelentes e cabe a você escolher qual melhor se adapta a sua realidade. Nós aqui no marketing da SML utilizamos o Método Kanban, há mais de três anos. E, por isso, eu trouxe aqui algumas das nossas práticas.  Veja só:

Para Gestão de Projetos e Método Kanban, utilizamos a ferramenta Asana

No Asana você pode criar as colunas que você quiser, por isso fica bem fácil de adaptar com a nossa necessidade. Basta apenas renomear as colunas. Para a Gestão de Projetos usamos Asana. Porém, para Gerenciar Processos nós usamos o Orquestra. 

Quando você cria um quadro no Asana ele automaticamente já vem com as colunas “A fazer – TO DO” “Em andamento – DOING” e “feito – DONE”. Porém, você pode criar quantas colunas quiser e renomeá-las.

Quando uma atividade avança, ela não volta mais

Essa é outra boa prática, ou até mesmo regra. Ao avançar um cartão de uma atividade, ela não volta para uma coluna anterior. À partir do momento em que uma atividade for colocada em execução, ela vai até o final. Aqui existe uma alta conexão com o Lean Manufacturing. Pois, atividade em andamento significa estoque. Se você começa uma atividade e não termina ela você esta gerando estoque, produto inacabado. Portanto, a regra é: “Pare de começar e comece a terminar!” Cartão que está em execução não volta mais. 

Backlog não é o mesmo que item priorizado

É muito comum, principalmente na área de projetos, existir uma coluna chamada de backlog, na qual ideias, melhorias e outras atividades são incluídas. Muita gente confunde uma atividade em backlog com uma atividade priorizada. De forma geral, uma atividade em backlog pode se tornar uma prioridade, mas ainda não é. A prioridade só passa a existir quando a atividade entrar na coluna “Replenishment”.

Por esse motivo, atividades em backlog não possuem prazo para serem executadas, nem possuem garantias de que algum dia serão, de fato, feitas ou implementadas. Você não tem um compromisso por realizar uma tarefa que está em backlog. 

Tamanho das atividades padronizadas

Aqui no Marketing nós temos diversos projetos. Por isso, temos dois quadros Kanbans. Um para os Cartões “mãe” onde estão os projetos em visão macro. E outro quadro Kanban onde estão as tarefas em WIP (Work in process). Para ver o que está acontecendo neste momento, no que as pessoas estão trabalhando, olhamos para um Kanban. Entretanto, para ver o andamento de projetos, olhamos para outro Kanban onde estão os cartões mãe com várias atividades vinculadas.

Quando a gente pega um projeto e destrincha ele em diversas atividades menores, ele pula do quadro Kanban de projetos para o quadro Kanban de tarefas.

Reuniões semanais

A nossa equipe de marketing faz duas reuniões semanais. A primeira é a reunião da segunda-feira, que chamamos de Replenishment. É o ato de, a partir de um conjunto de opções, priorizar e selecionar as que serão desenvolvidas. Ou seja, é quando a equipe faz as definições do que será feito naquela semana. Aqui a gente usa um pouco da metodologia de Scrum. Portanto, apesar do Kanban não prever time box, a gente tem um time box de uma semana. Todas as segundas-feiras nos reunimos para definir prioridades. 

Além da reunião de Replenishment, fazemos uma reunião na quarta-feira (Kanban Meeting)para verificar impedimentos e conversar um pouco sobre as entregas. Todas as entregas programadas estão dentro do prazo previsto? Conseguiremos entregar?

Definimos limites de atividades por coluna

Nós estipulamos um limite de cartões por coluna. Basicamente, significa ter um limite definido pela equipe para o total de itens que podem estar pendentes em uma determinada coluna. Por exemplo, qual o total de cartões que podem estar em andamento (Doing)? Esse limite pode ser mínimo, ou seja, o mínimo de atividades que devem estar na etapa; ou máximo, que significa o máximo de atividades que podem estar na etapa.

Exemplo

Se temos 8 pessoas na equipe a regra é que tenha apenas 8 cartões em Doing. Afinal, 1 pessoa não pode estar fazendo 2 atividades ao mesmo tempo, ela precisa estar focada em 1 atividade apenas. Por isso, a regra é limite máximo de cartões em doing.

Nome das colunas

Descreverei aqui como a gente usa o nome das colunas no nosso quadro Kanban. Assim você pode usar como exemplo se quiser. Vamos la?

Coluna 1: Ideias & Elefantes

Nesta coluna colocamos ideias boas que um dia serão priorizadas pela equipe.

Coluna 2: Para detalhar e destrinchar

São ideias & elefantes que já foram priorizados, mas ainda são grandes demais para serem feitas. Por isso, é necessário detalhar o cartão e destrinchar. Exemplo: “Fazer um evento em Minas Gerais”. Esta é uma ideia ou um cartão elefante. No momento que ele anda para a coluna “Detalhar e destrinchar” serão detalhadas e fragmentadas todas as tarefas necessárias para “Fazer um evento em Minas Gerais”.

Coluna 3: Destrinchado

Quando o cartão já foi fragmentado em diversas tarefas essas tarefas são colocadas na coluna “Destrinchado” isso significa que elas estão ali, loucas para serem feitas! Ou seja, estão prontas para algum integrante da equipe buscá-las.

Coluna 4: Replenishment

É aqui que acontece a priorização na reunião de segunda-feira (a reunião de Replenishment que eu comentei acima. Ou seja, nós olhamos para esta coluna e decidimos o que será feito naquela semana. Aqui os cartões começam a ganhar “donos”, responsáveis pela execução.

Coluna 5: To Do – Para Fazer

Já definimos o que precisa ser feito, correto? Agora é hora de colocar a mão na massa. Todos os cartões que estão em “To Do” são os primeiros da fila. São eles que estão prestes a serem executados. Sabe quando você liga para sua operadora de celular e a mensagem diz “Aguarde, você é o primeiro da fila” é assim que estes cartões estão nesta coluna “To do” aguardando, pois serão os próximos.

Coluna 6: Doing – Fazendo  (WIP 1 por pessoa)

Aqui fica fácil explicar, né? Todos os cartões que estão aqui são as atividades que estão sendo trabalhadas neste momento. Por este motivo só são permitidos 1 cartão com 1 responsável. Ninguém pode estar fazendo mais de uma atividade ao mesmo tempo. Sacou?

Coluna 7: Partially Done – Parcialmente feito (WIP 2 por pessoa)

Comentei lá em cima que nenhum cartão tem permissão para voltar duas casas. Lembra? Os cartões não podem voltar! É proibido por aqui! Não gostamos de atividades parcialmente feitas. Por isso, quando alguém deixa de fazer alguma atividade para iniciar outra o cartão é movido para cá. Pois, ele já começou a ser feito e está parcialmente feito. Quando esta coluna começa a encher de coisas parcialmente feitas, um sirena acorda a vizinhança inteira (rsrs) – brincadeirinha.

Coluna 8: Waiting For Third / Deploy – Aguardando terceiro ou entrega

Esta coluna serve para cartões que estão feitos, não dependem mais da equipe, mas depende de alguém ou de algum lançamento. Por exemplo, se eu dependo de alguma resposta de algum terceiro e isso está travando a finalização da tarefa, ela vem pra cá. Ou ainda, se eu terminei tudo, porém só farei a entrega da tarefa na data X, o cartão não vai para “feito” ele fica aqui até a data ” acontecer e tivermos certeza que status da tarefa é feito.

Coluna 9: Waiting For Approval – Aguardando aprovação

Esta é a coluna do chefe né? A gente enche de tarefas aqui para serem aprovadas  hehe. Esta coluna, como o próprio nome diz, são atividades feitas que aguardam aprovação de alguém.

Coluna 10: Done – abrir kaizen – Feito

Aqui a tarefa quaaaaase está feita. Porém, na SML a gente valoriza muito atividades que melhoram os processos. E existe uma política e uma OKR Corporativa que incentivam a criação de kaizens (melhoria nos processos). Quando a gente faz algum projeto que otimiza alguma coisa ele vem para esta coluna até que seja aberto o processo P350- Registro de Kaizen!  Portanto, a coluna de Kaizen foi criada para que a gente nunca esqueça de abrir os registros formais de realização de kaizen <3

No momento que um item do tipo Kaizen for entregue, isto é, movido para a coluna DONE – abrir Kaizen então o responsável pela execução do cartão (ou um representante do time) deverá abrir o processo P350 dentro do Orquestra BPMS.

Coluna 12: Done! – Feito

Pronto! Done é a coluna da paz! Atividade realizada com sucesso! Chega a dar uma leveza marcar “Done” num cartão! Coisa mais boa do mundo! Aqui encerra o ciclo. O lead time. Tarefa entrou e tarefa foi feita! #sucesso

Porém, pessoal, não é tão simples assim. Uma tarefa só entra em Done quando alguém está se beneficiando dela. Exemplo: fizemos um e-book lindo para vocês, porém ele ainda não está disponibilizado para download, então ele não é Done. Ele só será Done quando alguém já estiver se beneficiando da atividade realizada. Legal né?

Coluna 13: Frozen – Congelado

A coluna de congelado é meio triste porque significa que gastamos tempo com alguma coisa que foi despriorizada. Se chama Frozen e poderia ter o slogan “Let it go”. Esqueça, atividade foi despriorizada, saiu do radar, congelado. Poucas vezes isso acontece e quando acontece é porque realmente alguma coisa muito grande aconteceu. Exemplo: eventos presenciais em 2020.

Coluna 14: Waste – Lixo

Waste é quando, por exemplo, uma atividade fica muito tempo em Frozen e sabemos que ela não voltará a ser priorizada porque a estratégia mudou: lixo. É uma pena quando isso acontece, pois investimos tempo naquela tarefa. Ok. Segue o baile e vamos em frente!

Exemplo

Aqui embaixo segue um exemplo de um pedaço do nosso quadro Kanban, conforme descrição que eu fiz sobre as colunas aqui no texto acima.

Quadro Kanban Exemplo
Quadro Kanban Exemplo

Políticas explícitas do Kanban

Assim como fomos evoluindo com o nosso quadro, fomos evoluindo também com as nossas políticas. Existe aqui dentro uma espécie de manual de boas práticas, onde a gente escreve as regras que todos nós precisamos seguir. Se alguém entrar na equipe hoje, precisará ler estas políticas e segui-las.

Tamanho dos cartões

O Método Kanban não trabalha com estimativas de tamanho de itens, sejam elas em horas, pontos ou qualquer outra métrica.  Portanto, utilizamos aqui o mínimo de padronização. Essa padronização significa buscar itens / atividades que tenham uma escala de tamanho. A regra é: entre ratos e elefantes, tudo vale. O cartão não pode ser tão pequeno (exemplo: enviar um e-mail), nem tão grande (criar um novo design de produto).

Métricas de Kanban

Existem ferramentas que podem medir para você o tempo que os seus cartões caminham de um lado para o outro.  Embora eu queira te contar que essas ferramentas existem, eu não indicarei alguma. Com uma pesquisa rápida você verá alguns exemplos na internet.

Itens que não podem ir para o quadro

  • Tarefas de estudo pessoal
  • Reuniões internas
  • Reuniões com clientes
  • Consolidação de indicadores
  • Tarefas pessoais
  • Atividades muito pequenas que podem ser resolvidas dentro de poucas horas dentro do mesmo dia

Comece aos pouquinhos com o seu Kanban

Da mesma forma que eu apenas iniciei essa nossa conversa, você também pode dar um primeiro passo agora. Inicie seu quadro, coloque as colunas essenciais e vá evoluindo. Ninguém que começa a usar a metodologia já começa como um ultra ninja master. Comece pequeno com sua equipe e vá evoluindo, conforme a maturidade do método também evolui.

Falamos sobre kanban da indústria, falamos sobre cartões de kanban, misturamos aqui o kanban do Sistema Toyota de Produção com o Método Kanban de David Anderson e fizemos um post cheeeeio de conteúdo para vocês. Eu espero que vocês tenham gostado!

Um abraço,

Bruna Amaral

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Meu nome é Bruna Amaral Castro. Sou Engenheira de Produção, formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, sou CBPP e auditora de processos formada pelo Instituto de Qualidade Automotiva (IQA). Possuo oito anos de experiência atuando em melhorias de processos de negócio em empresas de grande porte como: Ferramentas Gedore, AGCO do Brasil, John Deere e DHB Global. Aqui na SML Brasil eu atuo com o desenvolvimento corporativo e projetos estratégicos, além disso, sou apaixonada por Business Process Management e melhoria contínua.