Gestão de riscos: o que é, qual a importância e o que tem a ver com processos?

Uma boa gestão de riscos pode trazer inúmeros benefícios para as empresas. Afinal, uma área que tem por essência identificar e planejar o tratamento de ameaças, traz consigo um desafio, mas ao mesmo tempo cria oportunidades. Mas como ter uma boa gestão de riscos?

Pois bem, essa não é uma pergunta simples de ser respondida. Porém, ter a gestão de riscos alicerçada nos processos da sua organização pode dar uma ajudinha. É justamente sobre isso que falo hoje. Quer saber mais? Então, me acompanhe!

O que é a gestão de riscos?

Antes de continuar falando sobre a relação da gestão de risco com processos, resolvi falar um pouco sobre a área em si. Assim, esse departamento da organização tem como objetivo mitigar os riscos aos quais a empresa se vê exposta, como o não cumprimento de algum procedimento pré-determinado, implicações legais, questões referentes aos concorrentes, ou até mesmo, de procedimentos internos que sejam importantes para organização. Ao gerenciar essas situações, é possível evitar que algo saia diferente do esperado, melhorando os resultados ao final do processo.

Dessa forma, é interessante planejar as ações que devem ser tomadas para cada um dos riscos, construindo um processo que permita a redução ou aproveitamento de oportunidades e ameaças.

Sempre que se fala em gestão de riscos, é importante lembrar que não se gerenciam apenas ocorrências cujo o impacto é negativo. Incertezas também podem representar oportunidades. Por isso, gerenciar os riscos também significa estar atento a situações que podem beneficiar a empresa. Um exemplo disso pode ser alguma alteração em uma lei que torne mais fácil a participação em licitações.

Qual a importância da gestão de riscos?

No dia a dia das organizações, é fundamental saber lidar com as incertezas que permeiam as atividades. E é nesse cenário que a gestão de riscos se torna tão importante. Ter um departamento voltado exclusivamente para isso pode ser um grande diferencial.

Pensando nisso, resolvi elencar 3 ganhos que a sua empresa passa a ter com uma gestão de riscos eficiente. Veja:

1. Proteger as organizações

A ocorrência de um risco não previsto pode ser muito perigoso para as organizações. Dependendo do impacto da incidência, os custos financeiros para tratá-la podem ser altíssimos. E não é só isso: as ameaças podem representar riscos de reputação, prejudicando até mesmo a imagem da empresa.

Pensar em todos esses riscos com antecedência e ter respostas planejadas ajuda a minimizar impactos negativos, bem como rever o ganho dessas situações. Nesse sentido, o importante é prever a amplitude do risco. Dessa forma, ao preparar-se o melhor possível, sua empresa pode ser muito mais resiliente a imprevistos de diferentes níveis de gravidade do que inicialmente.

2. Melhorar a governança

Aqui, vamos entender a governança corporativa como um conjunto de práticas cujo objetivo é proporcionar uma melhor gestão empresarial. Ter uma boa governança significa contar com mecanismos de controle das atividades da empresa, mantendo-as transparentes para todas as partes envolvidas e com um bom desempenho.

Nesse sentido, a gestão de riscos também pode contribuir para tal aspecto. Ao realizar esse trabalho adequadamente, é possível aumentar a previsibilidade dos processos e evitar a ocorrência de grandes incidências, ajudando a alcançar um bom desempenho empresarial e ao atingimento de metas estabelecidas. Tudo que se deseja, não é mesmo?! 😉

3. Permitir a melhoria contínua de processos

Identificar e analisar riscos é uma atividade que envolve uma profunda análise crítica, principalmente quando realizado no âmbito de processos. Ter uma equipe dedicada ao estudo dos fluxogramas dos processos da empresa, dessa vez a partir de uma perspectiva de ameaças e oportunidades, é possível perceber outras maneiras de implementar melhorias.

Assim, fica muita mais fácil estabelecer uma cultura de melhoria contínua dos processos, mesmo que o foco seja na previsão dos riscos e em como serão tratados. É preciso lembrar que os cenários das organizações são dinâmicos e é necessário sempre estar preparado para as oportunidades e incertezas que podem ser oriundas das constantes mudanças.

Veja também:


Melhoria contínua em escritórios

Qual a relação da gestão de riscos com processos e tarefas?

Lembre-se daquilo que seguidamente falamos por aqui: processos (e tarefas, por consequência) são a base de tudo dentro de uma organização. Dessa forma, como não pensarmos na gestão de riscos com esses dois elementos tão importantes dentro da organização? Veja como funciona essa relação:

Gestão de risco em processos

Ao modelar um processo, cria-se um cenário onde se espera que cada uma das tarefas seja realizada corretamente. Porém, o dia a dia não é assim tão previsível. Por isso, você deve pensar sobre as incertezas que podem influenciar esse fluxo de atividades.

Muitos dos problemas e das não conformidades em processos podem vir da ocorrência de riscos não previstos e da resposta lenta a eles. Ao identificar as ameaças e planejar respostas adequadas (e aqui não estamos falando apenas de respostas escritas, ou faladas, mas de atitudes de resposta), é possível minimizar, ou até mesmo evitar essas situações. Além disso, a identificação de oportunidades pode ajudar a antevê-las, aproveitá-las e consequentemente melhorar o desempenho organizacional como um todo.

Para exemplificar, imagine um processo de vendas para um novo produto. Desenhamos todo o processo para que, ao final, esse produto seja vendido. Porém, há uma série de possibilidades que podem ocorrer.

O risco de o cliente:

  • Não gostar do produto;
  • Ficar insatisfeito com o atendimento;
  • Querer algumas modificações;
  • Pedir para fazer um teste antes de adquirir;
  • Achar que o preço não é justo;
  • Entre outros…

Se esses riscos existem, o que pode ser feito para tratá-los? Uma boa saída seria, antes de lançar o produto, realizar pesquisas com os compradores, mapeando com antecedência as características que eles esperam do produto, e ajustar o projeto, bem como o processo de venda. Dessa forma, você passa a ter um processo mais inteligente e controlado.

Com essa perspectiva de processos operacionais, vale lembrar que um BPMS pode ser de grande ajuda! Ter um processo mapeado, modelado e automatizado, vai permitir uma análise mais criteriosa das condições em que ele ocorre. Com isso, será mais fácil identificar os possíveis riscos e planejar as ações adequadas, além de conseguir implementar de forma mais clara ciclos de melhoria contínua.

Gestão de risco em tarefas

Aqui, o raciocínio não é muito diferente. Oportunidades e ameaças podem manifestar-se em diferentes níveis, atuando sobre projetos, processos e também em tarefas.

Sob a perspectiva das tarefas, esse pode parecer um trabalho muito minucioso. Se eu já identifiquei os riscos do meu processo, também preciso fazer isso para as tarefas? A resposta a essa pergunta é: quanto mais riscos forem conhecidos e tiverem ações planejadas, menor a possibilidade de ser prejudicado por ameaças ou de perder oportunidades.

Pense outra vez no processo de vendas. Dentro dele, a assinatura de um contrato é uma tarefa de risco. Pode acontecer de não haver a assinatura por alguma das partes, trancando o processo como um todo. Essa situação pode trazer grandes problemas para a empresa. Se ela é mapeada com antecedência, pode-se planejar uma ação mais adequada, a fim de ser minimizar os efeitos de sua ocorrência. Um exemplo seria incluir etapas de validação dos termos com ambas as partes, evitando que existam divergências na hora da assinatura. Outra possibilidade seria automatizar o fluxo de assinatura, tornando o processo mais ágil e diminuindo os riscos dessas tarefas.

Por isso, depois de mapear os riscos do seu processo, faça-o também para suas tarefas. Possivelmente você não  precisará fazer para todas, mas é bem indicado que se faça para as mais importantes. Assim, você aumenta as chances de obter sucesso na execução do processo que tem em mãos.

Veja também:

Como facilitar a gestão de contratos da sua empresa

Como conclusão…

Para a organização conseguir ter aquele desempenho que tão almejado, a gestão de riscos traz vários pontos positivos, uma vez que ela ajuda a prever ameaças e oportunidades. Dessa forma, é muito mais fácil lidar com os cenários turbulentos do mercado e responder rapidamente às situações de crise, minimizando os impactos negativos.

Aplicada no âmbito dos processos, realizar uma gestão de riscos contribui para reduzir não conformidades e evitar situações que comprometam a empresa. Assim, é possível reduzir desperdícios e evitar incidentes difíceis de tratar. Além disso, também pode-se identificar oportunidades de melhoria.

Espero que você tenha gostado do texto. Mas ficou com alguma dúvida? Então, deixa seu comentário aqui no chat. Será um prazer respondê-lo!

Até mais!

Letícia Bragagnolo

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Meu nome é Letícia Mattiuz Bragagnolo. Sou Engenheira Química, formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande Sul - PUCRS, com Especialização em Gestão Estratégica de Negócios pela mesma instituição Atualmente, faço Mestrado em Administração e Negócios também na PUCRS, além de exercer meu papel de Corporate Development & Strategy Consultant aqui na SML Brasil. Já atuei em muito seguimentos e áreas de um negócio, sempre buscando otimizar e melhorar processos. Adoro aprender, ler e buscar desenvolvimento constantemente. E o que me move é a paixão por processos, qualidade e pessoas.