As nuvens e suas diversas formas

Por David Freitas Neto, CIO da SML Brasil.

O uso do cloud computing no Brasil, apesar de ainda estar em desenvolvimento e ter muito a se desenvolver, é uma realidade. Parte da responsabilidade pela expansão é de empresas como a nossa, que atua como agente difusor do conceito, de seus benefícios e aplicabilidade.

Nosso desafio é tornar simples a decisão de nossos potenciais clientes em adotar soluções no modelo cloud computing. O que pode dificultar o trabalho é o grau de maturidade da área de TI e os sistemas de missão crítica envolvidos nesta decisão. Por isso, ela deve ser sustentada por pilares, tais como o estratégico, analisando a competência da empresa na gestão da sua área de TI e a capacidade dela em investimento para que tudo funcione como manda o script, e comparada com as vantagens na adoção da mesma solução no modelo cloud computing.

Nessa análise devem ser levados em conta os diversos tipos de nuvem (há quatro principais) e o fato de algumas dispensarem investimento na aquisição, proporcionando considerável redução de custos com a gestão das aplicações feita por terceiros.

Cada uma das opções de cloud computing atende necessidades específicas e é fundamental entendê-las para fazer uso das mesmas alinhada à estratégia dos negócios.

Nuvem Privada dentro do ambiente do Cliente – Ao escolher este modelo, o cliente escolhe também investir em infraestrutura interna, como por exemplo: servidores e storages específicos, licenciamento de softwares de virtualização, e provisionamento para atualização deste parque, entre outros. Tais investimentos objetivam implantar uma plataforma dedicada à virtualização e consolidação de servidores, com provisionamento e gerenciamento internos. Essa modalidade possui o custo mais elevado das quatro, pois exige investimento alto em infraestrutura básica de Data Center, sistemas de resfriamento, ar-condicionado proteção contra incêndio, equipamentos específicos (servidores, storages, soluções de backup), links e contingências aos mesmos, software e pessoal especializado para sustentar o ambiente. Outros custos e riscos são assumidos pelo cliente, como treinamentos constantes, o turnover de recursos e outros. Atualmente muitos bancos criam suas próprias nuvens privadas.

Nuvem privada como serviço – Disponibilizada de forma dedicada e customizada, conhecida também como Private Cloud, apresenta vantagens em relação às demais opções, sendo uma das mais atraentes. O investimento inicial é nulo e o pagamento é feito de acordo com a demanda. Os custos operacionais deste modelo podem ser reduzidos em até 40%, devido à isenção de investimentos em ativos e custos de manutenção da infraestrutura interna com equipe especializada. A qualidade do ambiente é no mínimo igual, mas normalmente superior à do modelo de nuvem dentro da casa do cliente, pois entrega um ambiente de alta disponibilidade e dedicado, com a opção de gerenciar e controlar das aplicações que rodam nessa infraestrutura.

Nuvem Pública – Essa modalidade, conhecida como public cloud, permite que os recursos de computação sejam compartilhados entre diferentes clientes, podendo acontecer o que conhecemos como “overbooking”. Ou seja, todos os recursos computacionais estão disponíveis para diversas empresas, não havendo garantia de que o recurso estará disponível para você quando precisar dele. O investimento inicial também é nulo e o pagamento é feito de acordo com a demanda. Apesar do risco de “overbooking”, este modelo também reduz significativamente os custos operacionais se comparado com os custos tradicionais internos. A infraestrutura de uma plataforma pública pode chegar a abrigar centenas de milhares de empresas e o custo é compartilhado e, portanto, diluído. As plataformas de cloud pública normalmente têm seus níveis de segurança já estabelecidos, sem opção de personalização dos mesmos. Com isso, o cliente não interfere e tem pouco ou nenhum tipo de gestão e controle do ambiente. A nuvem pública é muito utilizada em ambientes que não são de missão crítica, ou serviços aos usuários domésticos. Exemplos: Netflix, Amazon, Saleforce.

A decisão de utilizar uma nuvem privada dedicada ou compartilhada nos projetos deve ser tomada a partir das respostas às questões abaixo, que devem ser direcionadas aos nossos clientes:

Você deseja controlar o ambiente de forma autônoma?
Você deseja customizar o ambiente através de mão-de-obra própria?
Você necessidade de um link dedicado com o ambiente para sua operação?
Sua corporação possui política uso de ambiente externo/nuvem? Se sim, há restrição ao compartilhamento de infraestrutura para este projeto?
Se a resposta à alguma das perguntas acima for sim, este cliente é um forte candidato a utilizar uma nuvem privada dedicada.

A opção da SML Brasil

No caso específico da SML Brasil, utilizamos nuvem privada de um parceiro (Corpflex), que nos oferece o modelo cloud computing como serviço, e nós adicionamos a ela as nossas soluções, em uma oferta combinada de infraestrutura, solução de software e serviços (como suporte e operação assistida).

Cabe ressaltar que comercialização das nossas soluções no modelo cloud computing traz vantagens não só para nossos clientes, mas também para a SML Brasil, pois aumentamos o nosso nível de importância junto ao cliente, deixando de ser um mero fornecedor de produto para ser um fornecedor de solução.

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Sou Diretor de P&D e Inovação da SML Brasil, mestre em Engenharia de Produção pela UFRGS e consultor com mais de 15 anos de experiência em projetos de melhoria de processos de negócio (BPM) em organizações de grande porte no Brasil nos setores de varejo, educação, financeiro e área pública. Arquiteto e responsável pelo desenvolvimento do Orquestra BPMS, primeiro BPMS brasileiro. Sou responsável por 4 projetos de BPM vencedores do WfMC Awards in BPM & Workflow, América Latina, e também professor em cursos de pós-graduação, em cursos de certificação e palestrante em diversos eventos no Brasil, com foco em gestão de processos. Revisei e colaborei no ABPMP CBOK V3 edições brasileira e inglesa, a participei ativamente de diversos eventos da ABPMP Brasil. Possuo certificações CBPP, OCEB e MCSD.